Os 6 idiomas oficiais da ONU: quais são, desde quando e onde são falados
As Nações Unidas realizam suas reuniões em seis idiomas: árabe, chinês, espanhol, francês, inglês e russo. Os discursos na Assembleia Geral e no Conselho de Segurança são interpretados para os seis, e os documentos oficiais e as resoluções são publicados nos seis. Somando os falantes de primeira e segunda língua, passa-se de 4 bilhões — embora esse total conte mais de uma vez quem fala vários deles.
O mapa abaixo destaca todos os países onde um dos seis idiomas da ONU é falado como língua principal ou cooficial. Toque num país para ver a população e como os idiomas se dividem. (Os rótulos do mapa interativo estão em inglês.)
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Como a ONU chegou a seis idiomas
Quando a Carta das Nações Unidas foi assinada em San Francisco, em junho de 1945, ela foi publicada em cinco textos igualmente autênticos: chinês, espanhol, francês, inglês e russo. Chinês, francês, inglês e russo eram os idiomas dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança (Estados Unidos e Reino Unido compartilham o inglês); o espanhol refletia a grande parcela de países latino-americanos entre os membros fundadores.
Em 1946, a Assembleia Geral (Resolução 2 (I)) fez desses cinco os seus idiomas oficiais, com inglês e francês como idiomas de trabalho. O Secretariado ainda trabalha em inglês e francês, mas desde então a Assembleia Geral e o Conselho de Segurança tornaram os seis idiomas, ao mesmo tempo, oficiais e de trabalho.
O espanhol virou idioma de trabalho da Assembleia Geral em 1948. O russo veio em 1968. O chinês, em 1973.
A chegada do árabe (1973)
A Resolução 3190 (XXVIII), adotada em 18 de dezembro de 1973, fez do árabe um idioma oficial e de trabalho da Assembleia Geral e de suas Comissões Principais. A proposta foi apresentada pelo Grupo Árabe, e os Estados-membros árabes concordaram em arcar juntos com os custos nos três primeiros anos.
O Conselho de Segurança incluiu o árabe em 21 de dezembro de 1982 (Resolução 528), e desde então os seis também são idiomas oficiais e de trabalho do Conselho.
Os seis, em resumo
Árabe
Cerca de 380 milhões de falantes nativos em 22 países, da Mauritânia a Omã, mais outros 270 milhões como segunda língua — sobretudo pelo estudo do Alcorão. O árabe moderno padrão (a variedade usada na ONU) não é a língua materna de ninguém; a fala do dia a dia se divide em variedades regionais bem distintas entre si (egípcia, levantina, magrebina, do Golfo). Clique nos países árabes do mapa e você vai ver o árabe muitas vezes convivendo com o francês no Magrebe.
Chinês (mandarim)
O mandarim é a primeira língua mais falada do planeta, com cerca de 940 milhões de falantes nativos. Somando uns 200 milhões de falantes como segunda língua, é a maior população de um único idioma entre os seis, por qualquer critério. Os documentos da ONU usam caracteres simplificados desde o início dos anos 1970, depois que a República Popular da China assumiu o assento da China na ONU, em 1971. Hong Kong (yue, cantonês) e Macau aparecem em violeta no mapa pelo alcance mais amplo do “chinês”. Veja como registrar o progresso em mandarim (em inglês) para ver como é a curva na prática.
Inglês
Cerca de 380 milhões de falantes nativos, mas é o alcance como segunda língua que faz do inglês a língua franca de quase tudo: uns 1,1 bilhão de falantes não nativos, e subindo. O inglês é de longe o idioma mais usado no Secretariado e o recurso padrão quando as delegações não compartilham outro idioma oficial. O mapa destaca a anglosfera histórica e as dezenas de países africanos e asiáticos onde o inglês é cooficial.
Francês
Cerca de 75 milhões de falantes nativos, uns 270 milhões contando os não nativos — uma francofonia que vai do norte e oeste da África ao Quebec, Bélgica, Suíça e pontos do Pacífico. Francês e inglês são os dois idiomas de trabalho do Secretariado, o que significa que um diplomata júnior com bom francês rende bem acima do tamanho da população nativa. A curva: como registrar o progresso em francês.
Russo
Cerca de 150 milhões de falantes nativos e outros ~110 milhões como segunda língua — concentrados na Rússia, nas repúblicas pós-soviéticas e em comunidades da diáspora. O mapa mostra o russo como idioma falado em boa parte da Ásia Central e do Cáucaso, onde ainda é a língua franca das gerações mais velhas. A curva: como registrar o progresso em russo (em inglês).
Espanhol
Cerca de 490 milhões de falantes nativos — o segundo maior grupo depois do mandarim — e outros ~75 milhões como segunda língua. Dois terços de todos os falantes nativos de espanhol vivem em apenas seis países: México, Colômbia, Argentina, Espanha, Venezuela e Peru. O alcance pan-americano, mais uma presença na Guiné Equatorial, faz do espanhol um dos idiomas mais espalhados geograficamente entre os seis. A curva: como registrar o progresso em espanhol (em inglês).
O que o mapa não mostra
Pintar países de violeta achata uma complexidade interna enorme. A Índia aparece como “inglês” no mapa porque o inglês é cooficial, mas no censo de 2011 só cerca de um em cada dez indianos (10,6%) declarou falar inglês, seja como primeira, segunda ou terceira língua. A África do Sul fica violeta por causa do inglês, mas zulu e xhosa têm, cada um, mais falantes nativos. O mapa mostra alcance, não predominância.
Ele também não mostra os idiomas que a ONU não usa. Hindi, bengali, português, japonês, coreano, vietnamita, turco e vários outros têm mais falantes nativos do que pelo menos um dos seis, mas nenhum entrou na lista oficial desde o árabe, em 1973. Acrescentar um idioma exige uma resolução da Assembleia Geral, e os Estados-membros dividem o custo. Tentativas não faltaram: a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) apoiou, na cúpula de 2016 em Brasília, uma candidatura do português a idioma oficial da ONU, e a Índia faz campanha pelo hindi.
Por que isso interessa aos poliglotas
Quem aprende os seis idiomas da ONU consegue conversar com mais ou menos metade da população mundial — mais ainda se priorizar os que têm muitos falantes não nativos (inglês, francês, árabe). É também uma estratégia de cobertura que funciona em viagem: quase não existe grande aeroporto no mundo onde pelo menos um desses seis não seja usado na imigração.
O recurso Polyglot Flex do LangTrack permite definir os seis idiomas da ONU como um grupo-alvo e ver o seu “alcance” crescer conforme você avança nos níveis do QECR em cada idioma. Uma hora de flashcards de árabe mexe num mapa que inclui 22 países; a mesma hora de esperanto, por mais charmoso que ele seja, não.
Aprendendo mais de um dos seis?
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